É possível rastrear Bitcoin, Ethereum e outros criptoativos? Como identificar uma carteira, acompanhar uma transferência e relacionar um endereço de blockchain a uma pessoa ou empresa?
Sim. Em determinadas circunstâncias, criptoativos podem ser rastreados por meio de técnicas de análise forense de blockchain, permitindo reconstruir o fluxo financeiro entre endereços, identificar padrões de movimentação, localizar pontos de entrada e saída em exchanges e, com informações complementares, contribuir para a identificação dos responsáveis pelas transações.
Diferentemente da ideia popular de que criptomoedas são completamente anônimas, muitas redes blockchain mantêm registros públicos e permanentes das transações. O que normalmente existe é pseudonimidade: a blockchain registra endereços e transações, mas não necessariamente informa diretamente o nome do titular.
É justamente nessa diferença que entra a perícia em criptoativos.
O que é rastreamento de criptoativos?
O rastreamento de criptoativos, também chamado de crypto asset tracing ou blockchain tracing, é o processo técnico de reconstruir e analisar a movimentação de ativos digitais registrados em uma blockchain.
A análise pode partir de informações como:
- endereço de uma carteira;
- TXID ou hash de uma transação;
- valor transferido;
- data e horário aproximados;
- rede utilizada;
- comprovantes de uma exchange;
- capturas de tela;
- registros de carteiras;
- informações obtidas de aplicativos;
- dados de exchanges;
- documentos relacionados à fraude;
- mensagens ou comunicações entre as partes.
A partir desses elementos, o investigador pode reconstruir o caminho percorrido pelos ativos.
Em uma investigação, por exemplo, o fluxo pode ser representado de maneira simplificada como:
Vítima → Carteira do fraudador → Carteira intermediária → Outra carteira → Exchange → Sistema financeiro tradicional
Cada etapa pode fornecer novas informações para a investigação.
A análise de blockchain é especialmente relevante porque o registro das transações, em redes públicas, pode permanecer disponível para consulta mesmo depois de transcorrido longo período.
Criptomoedas são anônimas?
Não necessariamente.
Essa é uma das principais dúvidas relacionadas à investigação de criptoativos.
Bitcoin, Ethereum e diversas outras redes públicas não registram, diretamente na transação, informações como:
- nome completo;
- CPF;
- endereço residencial;
- telefone;
- e-mail.
Em vez disso, a blockchain registra identificadores criptográficos, como endereços de carteiras.
Isso significa que uma investigação pode encontrar algo semelhante a:
Endereço A → Endereço B → Endereço C → Exchange
sem que a blockchain, isoladamente, informe:
João da Silva → CPF → endereço residencial.
Por isso, o rastreamento de criptoativos normalmente possui duas dimensões diferentes:
1. Rastreamento on-chain
É a análise dos dados registrados na blockchain.
2. Investigação off-chain
É a busca de informações externas capazes de relacionar uma carteira ou transação a uma pessoa, empresa ou organização.
A combinação dessas duas dimensões é fundamental para uma investigação completa.
Como funciona uma perícia em blockchain?
Uma investigação técnica de criptoativos pode ser dividida em diversas etapas.
1. Identificação do ativo
Primeiramente é necessário determinar qual ativo está sendo investigado.
Pode ser, por exemplo:
- Bitcoin (BTC);
- Ether (ETH);
- USDT;
- USDC;
- tokens;
- ativos emitidos em redes específicas;
- outros criptoativos.
Também é necessário identificar qual blockchain foi utilizada.
Isso é importante porque diferentes redes possuem diferentes estruturas, mecanismos de consenso e modelos de transação.
2. Identificação da carteira
O próximo passo consiste em identificar o endereço relacionado ao fato investigado.
Por exemplo:
bc1q...
ou
0x...
dependendo da rede.
O endereço, entretanto, não deve ser automaticamente interpretado como sendo uma pessoa.
Um endereço representa uma identidade técnica dentro da rede, e a atribuição de titularidade exige análise adicional.
3. Identificação da transação
Quando disponível, o TXID (Transaction ID) ou hash da transação é um dos elementos mais importantes da investigação.
Ele permite localizar uma operação específica na blockchain.
A análise pode considerar:
- endereço de origem;
- endereço de destino;
- quantidade transferida;
- taxa de transação;
- bloco;
- número de confirmações;
- timestamp;
- transações anteriores;
- transações posteriores;
- entradas e saídas relacionadas.
Esse conjunto de informações permite reconstruir o histórico financeiro on-chain.
O que é possível descobrir através da análise da blockchain?
Dependendo da rede e das informações disponíveis, a perícia pode identificar diferentes elementos.
Fluxo dos ativos
É possível acompanhar a movimentação dos criptoativos entre diferentes endereços.
Endereços relacionados
Determinadas técnicas de análise permitem identificar relacionamentos entre endereços e construir agrupamentos de carteiras.
Exchanges
Uma investigação pode identificar quando os ativos chegam a endereços associados a determinadas plataformas de negociação ou custódia.
Movimentações suspeitas
É possível identificar padrões como:
- múltiplas transferências;
- fragmentação de valores;
- movimentações em cadeia;
- transferência rápida entre carteiras;
- utilização de diversas carteiras intermediárias;
- conversão entre diferentes ativos;
- passagem por serviços de maior risco.
Valor movimentado
A análise também pode determinar quanto foi movimentado por determinado endereço ou conjunto de endereços.
O que é análise de clusters de carteiras?
Um dos conceitos importantes na investigação de blockchain é o cluster de endereços.
Um cluster representa um conjunto de endereços que, de acordo com determinados indicadores técnicos e heurísticas, pode estar relacionado ao mesmo controlador ou entidade.
Isso é importante porque uma investigação que considera apenas uma carteira pode enxergar somente uma pequena parte da movimentação.
Ao ampliar a análise para endereços relacionados, pode surgir uma estrutura muito maior:
Carteira A
↓
Carteira B
↓
Carteira C
↘ Carteira D
↘ Carteira E
↓
Exchange
Esse tipo de representação transforma milhares de registros individuais em uma estrutura visual de relacionamento.
Entretanto, é importante destacar que heurísticas de clustering não equivalem, por si só, à identificação jurídica de uma pessoa. Elas constituem elementos técnicos que precisam ser avaliados em conjunto com outras evidências.
Como identificar o proprietário de uma carteira de criptomoedas?
Essa é uma das perguntas mais importantes em uma investigação.
A blockchain pode mostrar:
Endereço X → Endereço Y → Exchange Z
Mas isso não significa automaticamente que o titular da carteira seja conhecido.
A identificação pode depender de informações externas à blockchain.
Entre as possíveis fontes estão:
- dados cadastrais de exchanges;
- informações de KYC;
- registros de depósitos e saques;
- contas bancárias vinculadas;
- documentos apresentados à plataforma;
- registros de acesso;
- e-mails;
- números telefônicos;
- endereços IP;
- dispositivos;
- registros de autenticação;
- dados obtidos mediante ordem judicial;
- informações fornecidas voluntariamente;
- outras evidências digitais.
Por isso, o rastreamento blockchain e a perícia digital podem trabalhar conjuntamente.
O papel das exchanges na investigação
As exchanges podem representar um ponto estratégico no rastreamento.
Isso ocorre porque uma carteira pode ser tecnicamente pseudônima, enquanto uma plataforma de serviços de ativos virtuais pode possuir informações cadastrais relacionadas ao usuário.
O fluxo investigativo pode ser representado como:
Carteira suspeita
↓
Endereço associado à exchange
↓
Conta de usuário
↓
Dados cadastrais
↓
Informações financeiras e digitais complementares
Esse processo depende da legislação aplicável, das circunstâncias do caso e dos mecanismos legais utilizados para obtenção das informações.
No Brasil, o ambiente regulatório dos prestadores de serviços de ativos virtuais vem sendo desenvolvido e ampliado. O Banco Central estabeleceu regras para o setor, incluindo mecanismos destinados a aumentar a rastreabilidade das operações.
É possível rastrear Bitcoin?
Sim.
O Bitcoin utiliza uma blockchain pública na qual as transações podem ser consultadas.
A análise pode reconstruir o fluxo de BTC entre diferentes endereços e identificar relações com entidades conhecidas.
Isso não significa que toda carteira Bitcoin possa ser atribuída imediatamente a uma pessoa.
A dificuldade está justamente na etapa de atribuição de identidade.
Em outras palavras:
Rastrear uma transação não é necessariamente o mesmo que identificar seu proprietário.
Uma perícia tecnicamente consistente precisa diferenciar essas duas conclusões.
É possível rastrear Ethereum?
Sim.
A rede Ethereum também possui registros públicos das transações.
Além das transferências de ETH, a análise pode envolver tokens e contratos inteligentes.
Isso torna a investigação potencialmente mais complexa, pois uma operação pode envolver:
- ETH;
- tokens ERC-20;
- contratos inteligentes;
- exchanges descentralizadas;
- bridges;
- protocolos DeFi;
- múltiplos endereços.
Por isso, uma simples consulta de saldo pode ser insuficiente para compreender o fluxo financeiro completo.
E as stablecoins?
As stablecoins merecem atenção especial nas investigações atuais.
No Brasil, dados divulgados pela Receita Federal em julho de 2026 indicaram que as stablecoins já representavam aproximadamente 80% do volume declarado de criptoativos, demonstrando a relevância desse tipo de ativo no mercado brasileiro.
Entre os exemplos mais conhecidos estão ativos referenciados ao dólar, como USDT e USDC.
Em uma investigação, portanto, não se deve procurar apenas por Bitcoin.
Dependendo do caso, o fluxo financeiro pode ocorrer principalmente por meio de stablecoins.
O que acontece quando o criminoso tenta esconder o caminho do dinheiro?
Criminosos podem tentar dificultar a investigação utilizando múltiplas técnicas.
Entre elas:
- criação de diversas carteiras;
- transferência rápida entre endereços;
- fragmentação dos valores;
- utilização de diferentes criptoativos;
- passagem por diferentes redes;
- utilização de serviços de mistura;
- utilização de exchanges descentralizadas;
- bridges entre blockchains;
- operações destinadas a criar camadas adicionais entre origem e destino.
Esse processo é frequentemente associado ao conceito de layering.
Entretanto, aumentar o número de transações não significa necessariamente eliminar os rastros.
Em muitos casos, a própria movimentação adicional cria novos elementos que podem ser analisados.
Blockchain não deve ser analisada isoladamente
Uma investigação de criptoativos não deve necessariamente terminar na blockchain.
Um dos aspectos mais importantes de uma investigação forense é estabelecer a relação entre:
Fato → Evidência → Transação → Carteira → Entidade → Pessoa
Por isso, uma investigação pode combinar:
Blockchain
- transações;
- endereços;
- blocos;
- tokens;
- contratos;
- relacionamentos.
Perícia digital
- celulares;
- computadores;
- carteiras digitais;
- aplicativos;
- e-mails;
- arquivos;
- logs;
- metadados.
OSINT
- domínios;
- redes sociais;
- sites;
- anúncios;
- empresas;
- informações públicas.
Dados financeiros
- comprovantes;
- transferências;
- contas bancárias;
- depósitos;
- saques.
Investigação documental
- contratos;
- notas fiscais;
- mensagens;
- documentos;
- registros empresariais.
A combinação dessas fontes pode aumentar significativamente a capacidade de reconstrução dos fatos.
Rastreamento de criptoativos pode ser utilizado como prova?
O rastreamento de criptoativos pode constituir elemento probatório, desde que sua obtenção, preservação, metodologia e apresentação sejam adequadamente documentadas e observem as exigências jurídicas aplicáveis ao caso.
Esse é um ponto particularmente importante no contexto brasileiro.
Um estudo publicado no âmbito do Ministério da Justiça analisou especificamente a admissibilidade de ferramentas especializadas de rastreamento de criptoativos na persecução penal brasileira e concluiu pela possibilidade de sua admissibilidade, considerando questões como relevância, confiabilidade e admissibilidade da prova.
Além disso, materiais técnicos voltados à investigação financeira destacam que dados relacionados a ativos virtuais devem ser tratados como provas digitais, observando-se os procedimentos de cadeia de custódia previstos no Código de Processo Penal.
Portanto, não basta apresentar uma captura de tela mostrando uma transação.
É necessário demonstrar:
- qual foi a fonte do dado;
- como o dado foi obtido;
- qual metodologia foi utilizada;
- quais ferramentas foram empregadas;
- quais parâmetros foram utilizados;
- como os resultados foram validados;
- como os dados foram preservados;
- quais conclusões são efetivamente suportadas pelos elementos analisados.
O que deve constar em um laudo de rastreamento de criptoativos?
Um laudo ou parecer técnico de análise de blockchain pode conter, conforme o objeto da perícia:
Identificação do objeto
Descrição da investigação e dos ativos analisados.
Metodologia
Descrição das técnicas utilizadas para obtenção e análise dos dados.
Endereços analisados
Listagem dos endereços relevantes para a investigação.
Transações
Identificação das operações relevantes, incluindo seus respectivos hashes.
Linha do tempo
Organização cronológica das movimentações.
Fluxo financeiro
Representação gráfica da movimentação dos ativos.
Clusters
Identificação e justificativa dos agrupamentos de endereços considerados relacionados.
Entidades
Indicação de endereços associados a exchanges, serviços ou outras entidades conhecidas, quando tecnicamente sustentado.
Evidências complementares
Correlação com dados externos à blockchain.
Limitações
Descrição das informações que não puderam ser determinadas.
Conclusão
Resposta objetiva aos quesitos formulados.
Essa última parte é fundamental.
Um bom laudo não deve afirmar mais do que os dados permitem concluir.
Qual é a diferença entre rastreamento e recuperação de criptomoedas?
São atividades diferentes.
Rastreamento
Procura determinar:
Para onde os ativos foram?
Identificação
Procura determinar:
Quem está relacionado aos endereços ou serviços utilizados?
Recuperação
Procura determinar:
Como os ativos podem ser bloqueados, apreendidos ou recuperados?
Uma investigação pode conseguir rastrear os ativos sem necessariamente conseguir recuperá-los.
Por isso, é importante não confundir rastreabilidade técnica com recuperação financeira.
Quando contratar uma perícia em criptoativos?
A análise pode ser especialmente útil em situações como:
- golpes envolvendo criptomoedas;
- fraudes em investimentos;
- pirâmides financeiras;
- estelionato;
- roubo de criptomoedas;
- invasão de contas;
- extorsão;
- ransomware;
- lavagem de dinheiro;
- desvios patrimoniais;
- disputas societárias;
- recuperação de ativos;
- investigação patrimonial;
- processos judiciais;
- investigações criminais;
- análise de carteiras de pessoas ou empresas.
O momento da contratação também pode ser relevante.
Quanto mais rapidamente forem preservadas as informações disponíveis, maior tende a ser a capacidade de reconstruir o contexto digital do fato.
Quais informações são necessárias para iniciar uma análise?
Não é necessário, necessariamente, possuir todos os dados.
Alguns dos elementos mais úteis são:
1. Endereço da carteira
Exemplo:
0x1234...ABCD
2. TXID
Identificador da transação.
3. Criptoativo
BTC, ETH, USDT, USDC etc.
4. Blockchain
Bitcoin, Ethereum, Tron, BNB Chain, Solana etc.
5. Data aproximada
Período em que ocorreu a movimentação.
6. Valor
Quantidade aproximada transferida.
7. Documentos
Comprovantes, prints, contratos ou mensagens.
8. Contexto
Descrição de como ocorreu a fraude ou o fato investigado.
Quanto mais informações estiverem disponíveis, maior tende a ser a possibilidade de correlacionar os dados on-chain com elementos externos.
Exemplo simplificado de uma investigação
Imagine que uma vítima tenha transferido R$ 100.000 em USDT para uma carteira indicada por um suposto investimento.
A investigação poderia começar com:
Comprovante da vítima
↓
TXID
↓
Carteira de destino
↓
Transações posteriores
↓
Carteiras intermediárias
↓
Cluster de endereços
↓
Exchange ou serviço identificado
↓
Dados cadastrais obtidos pelos meios jurídicos adequados
A partir daí, outras evidências podem ser correlacionadas:
Carteira + exchange + e-mail + telefone + IP + dispositivo + documentos + conta bancária
Esse processo pode transformar uma informação aparentemente isolada — uma carteira de criptomoedas — em uma estrutura investigativa muito mais ampla.
Por que a perícia digital é importante nas investigações de criptomoedas?
Porque a blockchain registra o movimento do ativo, mas não necessariamente explica quem estava utilizando a carteira e por quê.
Um celular, computador ou servidor, por outro lado, pode conter:
- seed phrases;
- chaves;
- aplicativos de exchanges;
- histórico de navegação;
- e-mails;
- mensagens;
- comprovantes;
- endereços de carteiras;
- capturas de tela;
- arquivos;
- registros de acesso;
- dados de autenticação.
A correlação entre essas informações e os registros da blockchain pode fornecer uma visão muito mais completa do fato investigado.
A importância da cadeia de custódia
Em uma investigação envolvendo ativos digitais, não basta encontrar a informação.
É necessário preservar sua integridade e rastreabilidade.
A cadeia de custódia deve permitir compreender:
onde a evidência foi obtida → como foi coletada → como foi preservada → quem a analisou → quais procedimentos foram realizados → qual resultado foi obtido.
Isso é especialmente relevante quando o resultado da investigação será utilizado em um processo judicial.
A documentação adequada da metodologia aumenta a possibilidade de que terceiros possam compreender e, quando necessário, reproduzir ou verificar as etapas realizadas.
O futuro das investigações de criptoativos
O crescimento dos ativos virtuais está tornando a análise blockchain cada vez mais relevante para investigações financeiras.
No Brasil, o ambiente regulatório também está evoluindo. A partir de julho de 2026, as operações de criptoativos passaram a ser informadas à Receita Federal segundo a DeCripto, alinhada ao padrão internacional CARF da OCDE.
Ao mesmo tempo, o Banco Central vem implementando regras específicas para prestadores de serviços de ativos virtuais, incluindo mecanismos relacionados à rastreabilidade das operações.
Esse cenário tende a aumentar a quantidade de informações disponíveis para análises financeiras e investigações.
Conclusão
Criptoativos não devem ser tratados como dinheiro invisível.
Em blockchains públicas, as transações podem deixar um registro técnico permanente e analisável. O desafio da investigação não está apenas em encontrar uma transação, mas em reconstruir o fluxo dos ativos, identificar relacionamentos entre endereços e, quando possível, correlacionar essas informações com pessoas, empresas e outros elementos de prova.
Uma investigação completa pode combinar:
Blockchain + perícia digital + OSINT + análise financeira + investigação documental + mecanismos jurídicos de obtenção de informações.
O resultado é uma reconstrução técnica do caminho percorrido pelos ativos.
Em casos de fraude, desvio, roubo ou lavagem de dinheiro, essa análise pode ajudar a responder perguntas fundamentais:
De onde veio o dinheiro?
Para onde foi?
Quais carteiras participaram da movimentação?
Existem outras carteiras relacionadas?
O dinheiro chegou a uma exchange?
É possível relacionar os endereços a uma pessoa ou entidade?
Qual é o valor atualmente identificável?
Quais elementos podem ser utilizados para fundamentar uma medida judicial?
É nesse ponto que o rastreamento forense de criptoativos deixa de ser apenas uma consulta à blockchain e passa a fazer parte de uma investigação técnica estruturada.
Perguntas frequentes sobre rastreamento de criptoativos
É possível rastrear uma carteira de Bitcoin?
Sim. Transações Bitcoin registradas na blockchain pública podem ser analisadas e relacionadas a outras transações e endereços.
É possível descobrir o dono de uma carteira?
Nem sempre diretamente. A identificação normalmente exige a correlação entre dados on-chain e informações externas, como dados de exchanges, registros digitais e outros elementos de investigação.
Criptomoedas são anônimas?
A maioria das principais blockchains públicas é melhor descrita como pseudônima, e não completamente anônima. A blockchain normalmente registra endereços, e não nomes.
O que é TXID?
TXID é o identificador único de uma transação em uma blockchain. Ele permite localizar e analisar uma operação específica.
É possível rastrear USDT?
Sim, mas é necessário identificar em qual blockchain o USDT foi movimentado, pois o mesmo ativo pode existir em diferentes redes.
Uma exchange pode identificar o dono de uma carteira?
Uma exchange pode possuir dados cadastrais relacionados às contas que utiliza, mas o acesso a informações protegidas depende das circunstâncias e dos mecanismos jurídicos aplicáveis.
O rastreamento de criptomoedas pode ser utilizado em processos judiciais?
Pode constituir elemento técnico de prova, desde que a obtenção, preservação, metodologia e apresentação dos dados sejam adequadamente documentadas e observem as exigências jurídicas aplicáveis.
O rastreamento garante a recuperação do dinheiro?
Não. Identificar o caminho dos ativos e recuperar os valores são etapas diferentes.
Quanto mais carteiras forem utilizadas, mais difícil fica rastrear?
A utilização de várias carteiras pode aumentar a complexidade da análise, mas não significa necessariamente que o fluxo se torne impossível de reconstruir.
O que preciso fornecer para iniciar uma análise?
Idealmente, o endereço da carteira, TXID, ativo, blockchain, período, valores e todos os documentos ou comunicações relacionados ao caso. Mesmo que algumas dessas informações estejam ausentes, ainda pode ser possível avaliar a viabilidade da investigação.
Perícia digital e rastreamento de criptoativos
Quando uma investigação envolve fraudes com criptomoedas, movimentações suspeitas, carteiras digitais ou ativos virtuais, a análise deve considerar não apenas a blockchain, mas também os elementos digitais e documentais relacionados ao fato.
Uma avaliação técnica inicial pode determinar quais informações estão disponíveis, quais transações podem ser rastreadas e quais correlações podem ser estabelecidas entre os dados on-chain e off-chain.
A blockchain mostra o caminho. A perícia busca compreender a história por trás dele.